domingo, 31 de janeiro de 2010

Se todos fossem iguais a você, (...)

A natureza é multicor. Seus matizes insinuam uma diversidade que foge à monotonia a que muitos se submetem. Compreender essa pluralidade pode permitir-nos uma melhor visão de como devem ser as pessoas e de que modo podemos aceitá-las.
Somos parte de um mundo natural, em pleno movimento, em constante mutação, reprodutivamente múltiplo. O fato de convivermos com tantos elementos díspares induz-nos a uma concepção de que a maravilha da vida não está na igualdade, mas na grande variedade de perfis que nos cercam. Todas essas diferenças que compõem nosso universo tangível contribuem para, cada vez mais, amarmos uns aos outros por serem diferentes de nós; e não por suas semelhanças conosco.
Conceber essa verdade não é fácil. Exige de cada um e de todos um nível diferenciado de percepção sobre a vida. É plausível a crescente referência à aceitação das diferenças entre as pessoas no mundo inteiro; e ficar de fora desse contexto é mais que um retrocesso; é uma estagnação. Assim, é possível ver o mundo como um avanço a partir de uma visão periférica em relação a tudo que nos cerca.
Se é inegável que a singularidade é plural, por que iríamos querer paisagens monótonas; assuntos monotemáticos; a vida sem movimentos ou pessoas sem variações?
Por isso, creio que se todos fossem iguais a você; sinceramente, não sei se seria uma maravilha viver, pois o que torna qualquer um especial é, exatamente, o fato de ninguém ser-lhe igual.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Esses moços, pobres moços...

A trajetória natural da existência humana sugere que as pessoas aprendam com tudo que lhes aconteça, considerando aquela máxima: vivendo e aprendendo. Nessa linha de raciocínio, o maior empreendimento da humanidade está em saber conjugar harmonicamente essas duas ações, no gerúndio mesmo, dando esse toque de continuidade prazerosa que a vida nos propõe. E, quando alguém atinge esse nível de compreensão, as relações entre as pessoas adquirem um patamar de civilização e evolução existencial.
Desde os primeiros passos, na fase inicial da infância, tudo o que a criança faz - por mais simples que seja - ganha status de ousadia e até de genialidade precoce. A família supervaloriza todo gesto, cada palavra, cada frase de efeito que pega qualquer um de surpresa, enfim, parece um período no qual todos devem assistir ao espetáculo e sensivelmente aplaudir a todo infante sinal prodigioso. De fato, esse estágio de nossa passagem por aqui é admirável, requer acompanhamento, valorização, respeito e esperança de que esteja bem assegurada a transição para a nova etapa da vida.
Sabe-se que esse processo de mudança no ser humano é até objeto de estudos, pois o comportamento das pessoas se altera substancialmente, o que gera a necessidade de adaptações constantes ao meio. Na adolescência, estendida cada vez mais no ciclo da vida, percebe-se um fluxo crescente de novos personagens que afloram seus estilos variados, exóticos, criativos, assustadores, misteriosos, coloridos, numa diversidade que deixa sem noção, principalmente, os mais velhos quanto ao que esteja acontecendo com essa turma nova. Até onde for a fase adolescente de cada um, é bom saber que ela refletirá as tendências e os novos conceitos no mundo.
Bem, mas chega-se ao estágio adulto da vida, tempo em que a censura, as repressões, os desgastes emocionais tornam-se comuns e insuportáveis para muitos. Acredita-se que se adquiriu tanta experiência na convivência com os outros que já se sabe tudo; não admitindo contrariedade alguma ao pensamento estabelecido, haja vista o pedestal de poder absoluto em que alguns adultos - às vezes - julgam se encontrar. E é aí que se geram os conflitos com os de outras gerações; uma queda de braço na qual o que cai mesmo é a conscientização do valor das diferenças, tão propaladas na mídia moderna.
Quem garante a segurança do roteiro escolhido? Quem pode afirmar e assegurar o fim desde o começo? Se cada fase da vida alicerça a fase seguinte, o que se deve fazer mesmo é aprender a [con]viver. Ninguém sabe tudo, somos eternos aprendizes e, até isso, é bom que todo mundo admita.
Aquele, no entanto, que enxerga a vida pelo retrovisor vai dizer soberbamente e, quiçá, com razão: -Esses moços, pobres moços; ah! ... se soubessem o que eu sei...

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Minha vida é andar...

Somos dotados, normalmente, da capacidade de locomoção; não importa o ritmo do deslocamento. Se a intenção é chegar, não havendo preocupação com a alta velocidade, todo mundo um dia atinge esse objetivo. A questão é que, na vida, uns querem, necessariamente, passar pelos outros, estar à frente, alcançar a linha de chegada antes de todos, sem considerar a legitimidade ou legalidade dos meios para esse fim.
A caminhada em nossa existência permite-nos estabelecer um compasso e uma agradável maneira de conviver com a paisagem que passa diante de nossos olhos e debaixo de nossos pés, criando em nós a sensação de bem-estar e até de felicidade. Todo esse conjunto de contemplações sugere-nos lições de vida. O que estiver estático sob o nosso olhar ou em movimento há de deixar-nos preciosos aprendizados. Nada nos passa em vão.
Dentro dessa perspectiva, não estamos falando aqui de meros movimentos físico-motores; mas de um processo de observação e assimilação à proporção que nos deslocamos, e passamos pelas coisas, pelas paisagens, pelas pessoas.
Para muitos, chegar simplesmente não é interessante; é preciso chegar primeiro. Para outros, basta o caminhar na direção certa ou que julguem ser o melhor roteiro. Há quem pense também que tudo isso é perda de tempo, pois ninguém - na verdade - chega a lugar algum. E assim, somos rodeados de diferentes perfis de caminhantes ou observadores com pensamentos vários sobre o valor das caminhadas. Cabe-nos prosseguir absorvendo o melhor de cada um.
E você, já observou para onde está indo em sua caminhada? Que lições estão sendo extraídas e aplicadas no seu modus vivendi? O que tem chamado sua atenção: as coisas, as paisagens, as pessoas?
Cheguei à conclusão de que a vida é uma caminhada na qual não há linha de chegada; ela é um roteiro cujo ritmo é estabelecido por quem dela participa; é uma oportunidade de descobrir parceiros; é uma chance de assimilar lições com o que vemos, por onde passamos e com quem convivemos.
Realmente, minha vida é andar...

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Vem, vamos embora...

O que você está esperando?
Acha que o mundo vai parar p'ra que você
amarre seus sapatos,
aperte seu cinto,
dê o nó de sua gravata?
Ou retoque sua maquiagem,
e contemple as muitas vezes que você se dirigiu ao espelho?
Não!
Absolutamente, não!
O tempo não para, pense nisso!
Uma vez, alguém me perguntou:
- O que te movimenta?
Foi difícil entender a profundidade da pergunta,
e ao longo de minha existência,
tenho tentado responder a mim mesmo e,
acho que é bom todos descobrirem seu movimento nesta vida.
Ação é tudo!
Atitude é tudo!
Esperar é quase nada!
Quem espera sempre cansa
Nada está parado;
o mundo é pleno movimento,
cada coisa no seu ritmo,
mas em transformação.
Agora mesmo,
não estamos inertes;
pois somos convidados a agir constantemente,
naturalmente...
Então...
Vem,
vamos embora,
que esperar não é saber;
quem sabe faz a hora,
agora,
pois sabe viver!

É preciso saber...

O outro nunca será você.
Então, pare de querer que o pensamento
e as atitudes alheias sejam iguais ao que você crê como certo!
Seja razoável!
Isso significa agir com a razão, viu?
Não agir assim pressupõe imprudência,
falta de equilíbrio,
e se isso acontece,
é comum a queda!
Deixe de criar tanta expectativa com as ações dos outros,
pois como diz uma canção:
os outros são os outros.
Seja você, apenas!
Admita que, por mais que haja promessas,
tudo só se cumpre por fatores vários que conspirem a seu favor;
não apenas por causa de um ou de outro.
Não fique aí esperando que a vida seja feita de ilusão,
nem pense em viver ou morrer na solidão;
é preciso ter cuidado pra mais tarde não sofrer, lembra?
Por isso,
é fundamental,
é necessário,
é preciso
saber viver!

Quero...

Já que vieste na hora exata,
dentro do que chamamos data,
quero tua risada mais gostosa,
tua alegria escandalosa,
esse teu jeito de achar
que a vida
pode ser maravilhosa!
(...)

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Não chore se eu disser...

As pessoas vivem pedindo umas às outras que sejam sinceras, mas nem sempre têm estrutura para ouvir o que muita gente tem a dizer, sinceramente. Dentro dessa perspectiva, há quem se torne um mentiroso gratuito apenas para não ferir outrem, ou - quiçá - para parecer bonzinho (alguém que fala o que se quer ouvir). É, certamente, por isso que o mundo está transbordante de gente assim, hipocritamente agradável.
Você deve conhecer pessoas que não suportam escutar a verdade, que dói; preferem a mentira, que acalenta! E é nesse contexto que se encontra a sociedade - já há muito tempo - sem intimidade com a autenticidade das palavras ou veracidade dos sentimentos. Sei de muitos que optam por seguir o roteiro da imparcialidade, da omissão, daqueles de "cima do muro"; sem compromisso e sem comprometimento com - absolutamente - nada!
Terei de dizer verdades; escolherei a atitude de tomar decisões e decidirei tomar atitudes; pois descobri - depois de um bom tempo - o quanto é importante assumir posições com as quais me identifico e naquelas em que acredito plenamente. Fico receoso com quem não mede o que diz ou deixa transparecer uma ideia de aceitação constante das palavras e posicionamentos alheios, sem estabelecer critérios para isso, sem se permitir a ousadia de até discordar. Acho, realmente, que quanto mais transparentes formos em relação às nossas convicções, mais selecionaremos aqueles que cogitam fazer parte de nosso círculo de amizade [verdadeira].
Então, não chore se eu disser que eu já vou; que isso não se faz ou que isso machuca o coração... porque essa é aquela verdade tão necessária neste mundo tão carente de quem diga - em tempo oportuno - o que precisamos ouvir!