domingo, 21 de março de 2010

De ventos e velas...

Comparar a vida com o mar não é uma metáfora assim tão rara.
Vivemos como barcos a singrar tantos mares e, até, oceanos...
Às vezes, somos levados por correntezas;
Ficamos à deriva,
À mercê das ondas...
Sofremos os embates de suas fúrias,
E mesmo quando tudo parece estar calmo,
Podemos ser surpreendidos.
A vida é assim: um grande mar aberto.
Nele somos lançados a seguir diversas rotas por nós escolhidas;
Ora na direção certa; ora na incerteza do destino,
Perdemo-nos ou nos encontramos nesse vasto mar!
Com o decorrer do tempo,
Diante de viagens mais longas,
Largamos o timão, o leme da existência,
Querendo que alguém assuma o comando;
Mas, parece que a voz do grande mar nos diz
P'ra não ter medo,
Que a coragem é o segredo da vida...
Sob os ventos e velas!
Até porque
Somos esperados por tantos que um dia nos viram adentrar o mar
E nos acenaram na esperança de um retorno breve.
Na volta, cabe-nos a expectativa de um abraço
Tão intenso e aconchegante de sentir as batidas do outro coração
Em nosso peito...
Com o olhar umedecido,
Voltamos,
Deixando escapar um pouco do mar em nossos olhos,
O mesmo mar imenso de tantos que nele se perderam.

sábado, 20 de março de 2010

Coisas que eu nem sei contar...

Se me propões que nos unamos em corpo, voz e cor,
Chego-te assim, sutilmente, sussurrando ao teu ouvido;
Circundando teu pescoço, ouvindo gemidos não de dor,
Ouso, então, lançar-me em ti com beijo mais que atrevido!

Desbravo-te freneticamente os pontos, tua geografia...
E teus suspiros em falsete fazem-me também delirar;
Nem o passar das horas me provoca o fim do dia,
E essa aventura em carne e osso faz a gente levitar...

Com a sensação maravilhosa de estar n'um paraíso,
Éramos dois; já somos um - encharcados de perfume;
Sem pecado, estando em ti, já perco o sizo...

Entregues à paixão, de nós - muitos têm ciúme...
Esparramado sobre tuas curvas, já não tenho juízo;
Escalo-te ofegante, e em jornada delirante: é o cume!

quarta-feira, 17 de março de 2010

Mais um sonho...

Não pretendo te amar no bocejar da vida;
Serei pródigo em me achegar ao teu céu...
Mas, se minha atitude te parecer atrevida,
Ficarei pacientemente a esperar do teu mel!

Se é preciso sofrer uma tortura implacável,
Ou até ousar romper minha incabível prisão;
Voarei num limite bem mais que provável...
Só p'ra chegar e tocar-te o inacessível chão!

Sei que pode valer delirar e morrer de paixão;
E, se amanhã, esse teu chão que eu beijei...
Junto ao teu peito, for meu leito de perdão,

Sem palavras, q'eu apenas te diga que já nem sei,
Que não entendo essa lei e tampouco a razão...
Mas, se era sonho impossível, todo amor eu te dei!

segunda-feira, 15 de março de 2010

Carícias plenas...

Como se não bastassem as minhas cruéis cadenas,
Vivo à mercê dos enleios dos fios de tuas melenas;
E sob o laço de teu abraço, revigoro-me em cenas
Marcantes de amantes, sendo - assim, nós - apenas!

Em busca de teus carinhos, carícias mil - tão plenas;
Debulho-me sob tuas mais intensas provas pequenas
Que se somam, em torno de mim, tais quais falenas...
Enquanto desbravo teu mar, lembras-me as sirenas,

Com seus hipnóticos cantos, melodiosas e obscenas;
Em teu corpo dourado, entrego-me às duras penas...
E, se ouso deslizar-me em ti com ações tão serenas,

Dizes ao meu ouvido palavras doces, sempre amenas.
Aliviando-me - sob estrelas - minhas quarentenas...
Sinto que sou pleno; e anuncio-te em minhas arenas!

domingo, 14 de março de 2010

Se olhar nos meus olhos, ...

Talvez as palavras sejam assim tão poucas
E meus gestos queiram se fazer presentes;
Se os encontros parecem atitudes loucas,
Mergulho fundo na emoção que pressentes!

Quando insisto em falar-te assim tão sério
E de mim foges, descartando o meu desejo;
De teu coração, vou desvendar o mistério
P'ra revelar-te o amor na doçura de meu beijo!

Quero te mostrar, bem pleno, o que é ser feliz;
Com essa chama que queima e chama pra viver
Um amor: reflexo do carinho que sempre te fiz

Pra viver essa paixão, se é assim o teu querer;
Seremos o amor, você e eu, como a canção nos diz:
E se olhar nos meus olhos, sei que já podes ver!

sábado, 13 de março de 2010

... tão carinhoso!

Às vezes, quando os meus olhos querem esboçar um sorriso,
E o coração é cercado por sombras de um passado ameaçador,
Quero, então, resgatar - a todo custo - o tão sonhado paraíso
Que me devolva a antiga alegria, um dia sufocada pela dor!

Mas, como fazer o coração voltar a bater daquele jeito feliz,
Se pelas ruas já não consigo - voluntariamente - te seguir?
Talvez por fugires de mim, quedo-me e quebro as promessas que fiz;
E os meus carinhos como antes, agora não podes mais sentir!

Ah, tu sabes, como ninguém, o quanto eu sou tão carinhoso
E como é sincero o meu amor; mas se estás a fugir de mim,
Fico reticente, quieto, buscando soluções, porém receoso...

Espero, então, recluso - expressar-te o que sinto assim:
Querendo que meus olhos fiquem sorrindo, com coração sequioso
E que venhas sentir o calor nos braços de um amor sem fim!

Vi tudo mudar...

E agora?
Seguir uma trilha já feita por outros
Ou fazer o próprio caminho?
Quando somos desafiados a enfrentar a vida,
Costumamos ver as estradas percorridas por quem já a enfrentou;
Olhamos cada passo,
Cada salto sobre as pedras,
A travessia das pontes,
Os abrigos procurados como forma de amparo;
Enfim, queremos chegar lá...
A um lugar a que chamemos de porto seguro:
Um ombro,
Um colo,
Um aconchego...
Algo mais que uma companhia;
Bem mais, muito mais que não estar só...
Pensando nisso,
Só quando fui ferido,
Vi tudo mudar!